Quem tentou dar aquela espiada no X, nosso antigo Twitter, na manhã desta terça-feira (13), acabou dando de cara com a porta. A plataforma passou por uma instabilidade severa, deixando muita gente frustrada e sem conseguir carregar absolutamente nada. E pelo visto o apagão não foi exclusividade dos brasileiros, atingindo em cheio usuários no mundo inteiro.
Fim da linha para a timeline?
Logo no meio da manhã, o Downdetector, site que vive de monitorar o funcionamento desses serviços, registrou um salto absurdo nas reclamações. Perto das 11h13 no horário de Brasília, já beirava mil queixas só por aqui. A dor de cabeça se concentrou principalmente no aplicativo de celular, responsável por 57% dos chamados, seguido pelo site no computador com 39% e problemas específicos na timeline, que somaram 3%. Lá fora, o buraco foi mais embaixo. Os registros globais da ferramenta passaram fácil da marca de 25 mil reclamações em questão de minutos.
Na prática, a coisa estava bem feia. Testes realizados por portais de tecnologia, como o Olhar Digital, confirmaram que as abas “Seguindo” e “Para Você” simplesmente sumiram do mapa. Perfis pessoais e mensagens diretas também ficaram inacessíveis, travando em uma tela de carregamento infinita que só devolvia um aviso irritante de erro. Ironicamente, quando um serviço cai, o X costuma ser o muro das lamentações oficial da internet. Sem ter onde reclamar na própria rede, a galera correu para a página do Downdetector para soltar os cachorros em cima da plataforma e do seu dono, Elon Musk.
A cruzada contra a publicidade oculta
Mas os tropeços nos servidores estão longe de ser o único assunto fervendo nos corredores da empresa. Em meio a esse caos técnico, o X decidiu mexer em um verdadeiro vespeiro ao anunciar o novo programa de selos de “Parceria Paga”. Segundo Nikita Bier, Chefe de Produto da rede, a jogada mira em cheio na transparência. A ideia é forçar os criadores de conteúdo a deixarem escancarado para seus seguidores quando estão recebendo dinheiro por uma publicação.
Bier justificou a medida afirmando que o objetivo principal é manter o que ele chamou de “um pulso autêntico da humanidade”. Na visão do executivo, embora a empresa queira que as pessoas ganhem dinheiro e construam seus negócios no X, fazer propaganda escondida destrói a integridade da rede e acaba fazendo com que os usuários desconfiem de tudo o que leem por lá. De quebra, a ferramenta ainda ajuda os influenciadores a andarem na linha com as legislações de publicidade.
O pânico no nicho das criptomoedas e as pontas soltas
Do ponto de vista puramente técnico, quem jogar limpo não deve ser punido pelo algoritmo. O Grok garantiu que as publicações marcadas com o selo de parceria vão rodar exatamente como qualquer postagem orgânica. Isso quer dizer que ninguém vai perder alcance ou visualizações e, mais importante ainda, os criadores vão continuar faturando com o programa de monetização através das impressões verificadas.
O desespero, no entanto, bateu forte em quem costumava lucrar nas sombras. A comunidade de criptomoedas no X sentiu o golpe de imediato. Muitos influenciadores desse nicho, conhecidos por promoverem tokens e produtos financeiros como se fossem apenas palpites desinteressados, agora terão que abrir o jogo sobre suas relações com as empresas por trás das moedas. Isso tem um potencial gigantesco para abalar a credibilidade de muita gente famosa na área.
O que ainda está bastante nebuloso na história toda é como exatamente o X vai fiscalizar essa nova regra. A plataforma não deixou claro quais serão as punições para os espertinhos que “esquecerem” de colocar o selo de patrocinado. Como o sistema vai depender muito de denúncias feitas pelos próprios usuários para caçar as propagandas irregulares, já tem criador de conteúdo preocupado. Existe um temor real de que a ferramenta vire arma para perseguições virtuais, abrindo brecha para que contas sejam atacadas em massa por motivos que não têm absolutamente nada a ver com a busca por transparência.
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